Crtica, L. L. Fernandes Pinheiro Jnior: Tipos e quadros, 1886

L. L. Fernandes
Pinheiro Jnior: Tipos e quadros

Texto-Fonte:

Obra Completa de Machado de Assis,

Rio
de Janeiro: Nova Aguilar, vol. III, 1994.

Publicado
em Tipos e Quadros, Rio de Janeiro, 1866.

Republicado
na Revista do Brasil, n 12, junho de 1939.

Se to
tarde lhe dou a resposta prometida  que no queria imitar o descoco do
crtico, objeto de um dos sonetos, que leu a primeira pgina de dois livros, e
louvou justamente o mau, e censurou o bom. Da a demora, da e de mil outras
circunstncias, que no aponto aqui para no demorar a carta.

Li o seu
livro todo, de princpio a fim, e digo-lhe que absolutamente descabido no livro
s acho o ltimo soneto, em que declara no poder acreditar que seja poeta.
Outros h que poderiam ser emendados aqui e ali, a matria de alguns parece
menos apropriada; mas, em geral, reconheo com muito prazer que domina o verso,
que ele lhe sai expressivo e flexvel.

Tambm
notei, em muitas composies, um como que desencanto que me admira nos seus
verdes anos. H nessas uma inteno formal de desfazer nas aes humanas,
dando-lhes ou apontando a causa secreta e pessoal, ou ento pondo-lhes ao lado
a ao ou o fato contrrio. Deus me livre de lhe dizer que no tenha razo em
muitos pontos, e ainda menos de lhe aconselhar que faa outra coisa. Noto
apenas a minha impresso, diante dos versos de um moo, que eu supunha
inteiramente moo.

E aqui
observo que um dos mais bonitos sonetos  aquele que tem por ttulo
'Aparncias', em que se trata de um amigo do poeta, festivo e
divertido, mas que leva na alma o espinho da agonia. Vendo a alegria do livro,
e a tristeza fundamental de algumas pginas, era capaz de jurar que o amigo do
poeta era o prprio poeta.

No me
diga nada em prosa, continue a diz-lo em verso.

Aperta-lhe
a mo o  Amigo  Machado De Assis.


